Publicado por: Erick Guerra | Março 14, 2009

Sobre o óbvio

A vitrola ressoava como de sempre. Entre acordes desafinados (por aquela girar um tanto quanto mais devagar do que deveria), um cinzeiro com bitucas suficientes para se dizer que mais de um maço fora consumido e uma garrafa de vinho barato já terminada, encontrava-se nosso protagonista.

Não, ele não estava doente de amor ou, muito menos, alguém havia falecido. Dessa vez era algo a se festejar, tudo aquilo terminara sem mortos e nem feridos e, por fim, ele relaxava em sua humilde sala. Sala essa que nunca esteve tão fluida, tão leve ou tão aconchegante.

Como a casa fora herdada de seus pais, ele vivera ali coisas que o marcaram e o constituíam de forma sublime. No quintal lá fora dera de seus primeiros passos ao seu primeiro beijo, e esse último com direito aos pais deles chegando mais cego, mas bem mais cedo do que o esperado e os pegando no ato. Naquela casa pedira sua primeira mulher em casamento e naquela mesma sala decidiram, civilizadamente, que já passara a hora de seguirem com suas vidas em rumos diferentes.

Quando já tarde o sono o vencera. Dormindo no velho sofá, o velho LP da Elis terminava e ele só acordaria lá pra quando o sol já estiver em declínio. E o que terminara finalmente? Só uma semana de trabalho árduo. Porque textos sobre angústia ou dores de amores são coisas que, além de nos enjoar, cansam a gente.


Respostas

  1. pois é…é o sentimento de “tudo que é humano. nada me é estranho”. as vezes angústia é banal e o amor já virou clichê, mas pensando bem, acho que sempre foi.

    crescimento é saber lidar com as coisas de forma mais serena.

    (coruja)

  2. não, vinil do Bosco.
    Texto, como sempre, sublime.

  3. sem querer – ou quase -, li errado o título e cheguei que esse texto deveria se chamar da forma que li: “sob o óbvio”.

  4. ow! atualiza, mano!

    inconveniente, eu sei, eu sei…

  5. Lô me falou pra passar por aqui e não me arrependi, que texto incrivel! mandou bem, abraço.


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