Acordou como sempre. Ainda estava cansado, ainda estava com sono e ainda tinha aquele velho hálito. Saiu da cama, foi até o banheiro, vagarosamente e esbarrando em tudo (como de costume), e quando iria dizer bom dia a si mesmo, um velho hábito que nem se lembrava mais quando começara, não conseguiu pronunciar.
Talvez fosse uma praga, como em “Ensaio a cegueira”, mas como a criatividade do escritor, às vezes, se torna limitada, a única criação (leia-se plágio) fora que ao invés da visão, a capacidade perdida fora a de falar, mas não era. Simplesmente, ou não tem simples assim, ele não conseguia falar. Checou sua garganta e ela estava normal, sem pústulas, manchas, pus ou qualquer indicador – nojento – de alguma inflamação.
Sem saber o que era, decidiu-se ir terminar de se arrumar e ir para a faculdade. Como trabalhava arrumando computadores, falar era o menos necessário, e por isso mesmo, sabia que boa parte das pessoas nem notaria que ele estava sem voz. O dia correu normalmente – novamente – e ninguém, como esperado, acabou percebendo o que começara pela manhã.
Quando foi dormir no final do dia, sentiu-se tranqüilo, pois percebeu que não tinha muito que dizer. E por final, decidiu que só tentaria falar de novo quando valesse a pena…
já li. mas é sempre bom dar um oi.
fantástico. como sempre o é.
Por: Lô em Abril 22, 2009
às 12:28 am